Mercado residencial Europeu fustigado
printO regresso do financiamento bancario sera o impulsionador do mercado residencial
Os preços do mercado residencial estão em queda em todos os mercados europeus desde o final de 2008 e as previsões para 2009 não se mostram muito animadoras. Para que uma haja reanimação do mercado, residencial europeu, é necessário que exista confiança na competência dos governos europeus em lidar com a crise do financiamento bancario e com a duração e extensão da recessão económica. Esta é uma das conclusões do RICS European Housing Review 2009, estudo publicado recentemente pela Royal Institution of Chartered Surveyors (RICS).
O mesmo estudo refere que as reduções significativas nos empréstimos bancarios devido a crise do crédito e recessão económica, reduziram a procura no mercado residencial europeu.
No ano passado, os preços da habitação em todos os mercados europeus, sem excepção, registaram uma queda ou estagnaram. Contudo, os países bálticos registaram as maiores descidas (23% na Estónia), seguidos do Reino Unido (-16%), Irlanda (-9%) e países escandinavos (8% na Noruega). É de referir que Portugal não é objecto deste estudo.
Segundo Eric van Leuven, Presidente do RICS Portugal e Managing Partner da Cushman & Wakefield, mesmo as economias que não registaram grandes descidas nos seus mercados residenciais, não foram poupadas. Na Alemanha e Áustria, a falta de crédito afectou a procura e prevê-se que em 2009 haja uma queda nos preços e na actividade imobiliária. Em Itália, as vendas decresceram e, pela primeira vez em mais de uma década, os empréstimos cresceram negativamente em 2008.
Apesar dos indicadores oficiais espanhois demonstrarem uma descida moderada dos preços durante o ano passado, o efeito drástico da crise do crédito no financiamento bancario e o fim do boom consumista irão, certamente, conduzir a um reajustamento mais realista dos preços em 2009. O agravamento do clima económico mundial irá igualmente deteriorar o mercado de segunda habitação em Espanha.
Por outro lado, o Reino Unido e a Irlanda sofreram uma das piores quedas do mercado em 2008, com descidas significativas em ambos os casos. Contudo, de acordo com o estudo RICS UK Housing Market de Janeiro, existem indícios de que alguns compradores estão a começar a mostrar um renovado interesse na aquisição de imóveis residenciais, afirma Eric van Leuven.
Na Europa Central e de Leste, a crise financeira teve um impacto muito significativo no mercado residencial. Na Hungria, as transacções registaram uma queda entre 10 e 15% e o preço dos imóveis residenciais desceu em todas as principais cidades polacas. A continuação das restrições de financiamento bancario e o aumento dos custos nos empréstimos em moeda estrangeira poderão conduzir a mais descidas.
Em França, a venda de imóveis residenciais desceu 30% em 2008, e espera-se que os preços continuem em queda em 2009, devido á actual conjuntura económica.
A nacionalização de alguns dos maiores bancos na Holanda e Bélgica, como o Fortis Bank, teve um impacto bastante considerável nesses mercados residenciais, influenciando a descida de preços.
Eric van Leuven comentou que, "a crise económica e financeira mundial teve um impacto muito forte no mercado residencial europeu. Alguns países como a Irlanda ou o Reino Unido, lideraram as descidas, mas no último trimestre de 2008 o efeito alastrou o resto da Europa. Dado o contexto no qual a queda do mercado residencial se insere, existe actualmente uma maior concertação no mercado residencial europeu do que a que se tem verificado no passado e irão atravessar-se momentos diceis antes da recuperação do mercado.
As restrições no critério de atribuição de financiamento bancário no ano passado, estão, actualmente, a ter um impacto significativo em vários mercados residenciais europeus. O agravamento do clima económico está a afectar claramente a reacção do mercado. Consequentemente, os níveis de actividade, em 2009, continuarão em declínio e os preços irão continuar em queda na maioria dos mercados. Assegurar financiamentos para satisfazer as necessidades deverá ser uma das prioridades dos governos europeus, mas o factor essencial é a tomada de medidas efectivas para fortalecer a economia a fim de apoiar o mercado imobiliário, conclui Eric van Leuven.
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